Manguezais e marismas

Margeiam reentrâncias costeiras, onde haja encontro das águas do mar com as de rios, ocorrendo de forma conjunta com as lagunas costeiras, estuário e deltas; são compostos por sedimentos finos e  lodosos trazidos pelos rios e pelo mar.

Os manguezais apresentam uma baixa energia hídrica, o que possibilita uma grande acumulação de matéria orgânica trazida do mar e dos rios adjacentes por meio das marés, sendo assim um local de grande produção animal;

A base da cadeia alimentar dos manguezais é a decomposição do material particulado feita por fungos e bactérias, que fornecem alimento a algas. Estas alimentam larvas e jovens peixes, camarões, caranguejos, siris, ostras e mariscos. As folhas e caules caídos da vegetação são consumidos por moluscos e caranguejos.

Os manguezais são encontrados nas costas tropicais e sub-tropicais, estendendo-se do litoral de Santa Catarina à Flórida, são comuns também na Ásia Central e Austral, Austrália e Oceano Pacífico.  Em regiões com latitudes maiores, na América do Sul, as correntes frias do Oceano Pacífico e a proximidade do maciço andino, aliados às baixas temperaturas dificultam o desenvolvimento das espécies características do manguezal.

Nas regiões equatoriais onde a variação da maré é alta (como no norte e no nordeste do Brasil) a altura dos bosques pode chegar a 30 metros. No sul e sudeste brasileiros, a altura das arvores é bem menor, estando exclusivamente em baías, estuários e áreas protegidas das ondas, como em Iguape e Cananéia.

No Brasil, os manguezais ocupam uma área de 25000 km2 e representam mais de 12% dos manguezais do mundo.

Por suas condições ambientais restritas, os manguezais apresentam uma grande pobreza vegetal. Apesar disso são considerados os berçários do mar, pois grande parte da fauna marinha vem até esses ambientes para a sua reprodução, devido a sua alta produtividade nutricional e águas calmas e rasas.

Nele também encontramos uma fauna permanente que, assim como a vegetação, exige adaptações para sobreviver em um ambiente tão singular. Assim podem ser encontrados crustáceos adaptados a cavarem tocas no lodo ou viverem em árvores; os Teredos (moluscos bivalves vermiformes) que escavam o caule de árvores mortas – geralmente Avicennia podendo inclusive causar a sua queda.

Também são comuns aves como a garça branca grande (Casmerodius albus), a garça branca pequena (Egretta thula),  o biguá (Phalacrocorax olivaceus) e o Chupim-do-brejo.  

O sistema reprodutivo das espécies vegetais típicas dos mangues é bastante adaptado ao ambiente inundado em que as árvores se desenvolvem. Os embriões são produzidos diretamente na planta-mãe, e somente se desligam dela quando já se tornaram pequenos indivíduos completos. Esses embriões são chamados de propágulos e apresentam capacidade de flutuação até encontrarem um substrato adequado para a sua implantação.

Os manguezais oceânicos, ou seja, os que ocorrem em ilhas são raros, pois para sobreviver nesse ambiente, as árvores precisam ser sustentadas pela água da chuva, armazenada em depressões de baías. Esse fato raro ocorre no Arquipélago de Fernando de Noronha onde se pode encontrar o mangue branco, em depressões da Baía do Sueste, que se ligam temporariamente ao mar durantes as marés cheias, propiciando a variação de salinidade necessária ao desenvolvimento desta vegetação. Por ter a proteção de um banco de corais (que impede a ação das ondas) a Baía do Sueste é local de abrigo para pequenos peixes e para tartarugas. Com certeza a capacidade de flutuação das plântulas as fez viajarem mais de 300 quilômetros, até Noronha.

A vegetação do manguezal é constituída basicamente por três espécies devido às restritas condições  ambientais nele observadas como a invasão por água salgada  duas vezes por dia, além da constante ausência de oxigênio. Geralmente são encontradas algas vermelhas associadas à vegetação. Entre as espécies que desenvolveram meio para sobreviver à essas condições estão:

 

Rhizophora mangle – conhecido como MANGUE VERMELHO tem como característica principal para a sua identificação as raízes escora, que ficam  fora da água.

 

Avicenia schaueriana –  conhecida como SIRIÚNA ou MANGUE PRETO, apresenta raízes radiais e respiratórias (pneumatóforos) aparentes. Estas realizam trocas gasosas quando a maré sobe.

 

 

 

Laguncularia racemosa – MANGUE BRANCO, possui um pecíolo vermelho nas folhas, como a Avicenia, apresenta pneumatóforos para as trocas gasosas e raízes radiais.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s