Lagunas costeiras, estuários e deltas

Compreendem as áreas alagadas que fazem a transição entre a terra emersa e o mar. Os estuários se formam sempre que um rio encontra o mar, o que resulta em uma grande variação na salinidade, temperatura, turbidez e concentração de oxigênio dissolvido na água.

Os estuários podem se formar de quatro maneiras distintas. A mais comum acontece nas planícies costeiras, quando a foz de um rio é inundada pelas águas salgadas, devido à elevação do nível do mar, durante as marés.

Fiorde na Noruega

Fiorde na Noruega

As outras origens correspondem ao deslocamento de terra para baixo do nível do mar, permitindo a entrada de água salgada, aos rios que se formam atrás da linha da costa e são confinados por barreiras de areia paralelas à costa e os fiordes, vales em forma de U escavados por ação dos glaciares.

Os estuários correspondem a regiões de acumulação ativa de nutrientes devido às condições de baixa energia (livre da ação de ondas), o que resulta numa alta produtividade biológica. Constituem um dos ecossistemas litorâneos mais férteis, servindo de criadouro e abrigo a numerosas espécies de organismos, como crustáceos, moluscos e peixes.

Estuario em Picinguaba/SP

Estuario em Picinguaba/SP

Estudos indicam que 70% das espécies potencialmente comercializadas abrigam-se nos estuários em algum estágio do seu desenvolvimento, isso mostra a importância comercial de se preservar tais ambientes. Os estuários são ambientes ameaçados pela expansão humana, hoje cerca de 2/3 das grandes cidades do mundo estão localizadas nas suas proximidades e no Brasil, aproximadamente 60% da população ocupa áreas de ecossistemas estuarinos, onde estão situadas 12 áreas metropolitanas de capitais de estados.

Normalmente, a água do mar é mais fria que as doces águas do estuário. Por isso ela é mais densa e entra nos estuários, durante as cheias das marés, por baixo da água dos rios, revolvendo o lodo. Durante as marés vazantes, o mar recebe uma carga significativa de nutrientes e matéria orgânica.  Outro fator que influencia o aporte de sedimentos para o mar é a chuva, os estuários que têm os bosques de mangue preservados, apresentam uma capacidade muito maior de acomodação das águas e principalmente de retenção de sedimentos terrígenos. Nos estuários onde os manguezais foram devastados ou ocupados pela urbanização há grande aporte de sedimentos (e materiais de origens antrópicos) para o mar.

A água do mar não apresenta uma salinidade uniforme ao redor do globo, sendo menos concentrada no Golfo da Finlândia e mais salina no Mar Morto. Os cientistas concordam que cada litro de água do mar contêm 35 gramas de sais dissolvidos, relação que fica em torno de 0,5 gramas para a água doce. Nos estuários, há a mistura das águas salgada e doce e se verifica um gradiente de salinidade, com o grau de sais dissolvidos variando de acordo com a distância do mar.

Delta na Grécia

Delta na Grécia

 Apesar de serem considerados uma região estuarina, os deltas formam-se em ambientes onde o rio se encontra com o mar por meio de vários canais ou braços, como acontece no Brasil com os deltas do Amazonas e do Parnaíba, no Egito com o delta do Nilo e na Índia com o delta do Ganges.

Lagoa dos Patos/RS
Lagoa dos Patos/RS

As lagunas costeiras são depressões preenchidas por água salgada ou saobra, localizada na borda litorânea, ligada ao mar através de um canal.

Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul é  a maior laguna do Brasil e a segunda da América Latina, com 265 quilômetros de comprimento e uma superfície de 10 144 km², paralela ao Oceano Atlântico.

Desde a antiguidade, o homem utiliza os estuários para navegação, comércio e pesca, o que gerou, ao longo dos séculos, um grande conflito entre os ambientes naturais e as ações antrópicas.

Um exemplo típico dessas ações é o rio Tâmisa, na Inglaterra, que tem seu estuário no Mar do Norte. A poluição deste rio é conhecida desde 1610, quando a água do rio deixou de ser considerada potável, devido às constantes descargas de esgoto doméstico e industrial. Apesar disso, ainda em 1790 os salmões eram abundantes na região, assim como trutas  e enguias.

Rio Tâmisa

Rio Tâmisa

Porém, em 1854 mais de 500 pessoas morreram em suas margens devido ao cólera. A poluição do Tâmisa chegou ao seu ápice em 1858, quando as sessões do Parlamento foram suspensas por causa do mau cheiro, evento que se tornou mundialmente conhecido como o Grande Fedor, o que resultou na implantação do sistema de tratamento de esgoto de Londres.

Em 1945, o rio passou novamente por um período de deterioração, devido à descarga de efluentes de águas residuais sem tratamento. Em 1979, espécimes jovens de salmão foram  reintroduzidos no local, para que fossem por instinto até ao mar e de seguida subissem o rio de modo a reproduzirem-se naturalmente.

No início de março de 2010, o nível das águas do Tãmisa foi o mais baixo já registrado, o que revelou uma enorme quantidade de lixo, especialmente de garrafas e sacolas plásticas. A ONG Thames21 realiza a limpeza periódica do rio e em dez anos já coletou cerca de 250 mil sacolas plásticas de suas águas.

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